Pixar – A maior indústria de cinema do mundo

28 06 2009

No dia 29 de maio, quando Up – Altas Aventuras estreou nos cinemas norte-americanos, a Pixar Animation Studios apresentou para o mundo o seu décimo filme. Parece pouca coisa para uma história que começou há 23 anos, em 1986, e que só veio ao conhecimento do grande público em 1995, com o lançamento de Toy Story.

De lá para cá 14 anos ficaram para trás e se o século passado viu nascer um gênio chamado Walt Disney, que virou sinônimo de desenho animado e construi um império em torno dos seus personagens, o que a Pixar produziu na última década já é o suficiente para deixar marcas em algumas gerações.

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O começo com George Lucas e Steve Jobs

Pouca gente sabe, mas assim como Star Wars, a Pixar nasceu também nas mãos de George Lucas. A empresa surgiu como uma divisão da Lucasfilm – chamada Graphics Group – especializada na criação de softwares de computação gráfica. Uma das primeiras empresas a utilizar seus serviços foi a Industrial Light & Magic, também propriedade de Lucas.

pixar006 Os primeiros resultados de suas colaborações podem ser vistos em filmes como Jornada nas Estrelas 2 – A Ira de Khan e O Enigma da Pirâmide, ambos da primeira metade da década de 80. A “pequena” divisão da Lucasfilm cresceu e chamou a atenção de outro investidor: Steve Jobs.

O fundador da Apple a adquiriu em 1986 pela bagatela de US$ 10 milhões e, até hoje, esse é considerado um dos negócios mais bem-sucedidos, por parte do comprador, e uma das grandes burradas por parte do vendedor. A então Graphic Groups ganhou um novo nome – Pixar – um neologismo para a expressão “fazer pixels”.

Embora o nome remetesse à criação de imagens, sua especialidade, na verdade, era o desenvolvimento de hardware. Um dos seus produtos próprios, por exemplo, era o Pixar Image Computer que tinha, como um de seus maiores compradores, a Walt Disney Company.

Embora eficiente, o produto acabou não vingando e, para tentar incrementar as vendas, um dos empregados da empresa, John Lassetter, produzia curtas animados para mostrar o potencial de sua máquina. Com seu principal produto em baixa nas vendas Jobs, em 1991, decidiu reestruturar a empresa, demitindo diversos funcionários.

Reestruturada, a empresa desistiu da idéia de vender o seu computador e decidiu usá-lo por conta própria. Assim, no mesmo ano, fechou uma parceria de US$ 26 milhões com a Disney para a produção de 3 longas animados.

A história de um brinquedo toy story

pixar003O primeiro produto do acordo chegaria às telas em 1995. E em grande estilo. Toy Story foi o primeiro filme da história feito totalmente por computação gráfica. Considerado uma marco no cinema, a produção se tornou um fenômeno nas bilheterias. Com US$ 191 milhões arrecadados só nos EUA, foi o filme mais visto naquele ano no país. Além disso, seu faturamento mundial chegou à marca de US$ 358 milhões.

Como se não bastasse o sucesso junto ao público, Toy Story ainda recebeu três indicações ao Oscar (nas categorias de Melhor Trilha Sonora em Comédia, Melhor Roteiro Original e Melhor Canção) e duas indicações ao Globo de Ouro (Melhor Filme – Comédia ou Musical e Melhor Canção). Não ganhou os prêmios, mas a Pixar ganhou o mundo.

A parceria deu tão certo que, logo após o lançamento, o contrato foi ampliado. Foi assinado um novo termo, desta vez para produção de cinco filmes, nos dez anos seguintes. Pelo novo termo Disney e Pixar dividiriam o custos de produção e os lucros, com a Disney recebendo 12,5% dos direitos dos filmes.

Filmes para todos os gostos

pixar001Passado o sucesso inicial era hora de pensar no futuro. Afinal havia ainda muita coisa a ser explorada na computação gráfica. E, também, este já não era um território exclusivo da Pixar. Em 1998, dois filmes similares chegaram as telas. FormiguinhaZ (da Dreamworks) e Vida de Inseto (da Pixar).

Embora tenha faturado US$ 162 milhões nos EUA, a produção da Pixar ficou atrás da Dreamworks, que somou US$ 171 milhões com a sua animação. Longe de ser um fracasso, muito pelo contrário, Vida de Inseto foi o filme da Pixar que menos arrecadou nas bilheterias.

Era a hora de trazer Toy Story de volta. O segundo filme – Toy Story 2 – chegou aos cinemas em 1999 e, a exemplo do primeiro, foi outro grande sucesso, faturando ainda mais alto. Foram US$ 485 milhões no mundo todo, sendo US$ 245 milhões só nos EUA.

A era da invenção

pixar005Em 2001 a aposta foi Monstros S.A. O sucesso foi ainda maior. US$ 525 milhões ao redor do mundo (US$ 255 milhões só nos EUA) e de quebra o primeiro Oscar para a empresa, na categoria de Melhor Canção Original, além de outras 3 indicações (Melhor Filme de Animação, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição de Som).

Para quem achava que este seria o limite, em 2003 a companhia levou às telas o seu maior sucesso até então e, considerado por muitos, seu melhor filme. Com Procurando Nemo a Pixar arrecadou extratosféricos US$ 864 milhões nas bilheterias (US$ 339 milhões apenas nos EUA).

Sucesso de público, o filme foi aclamado pela crítica e ganhou o Oscar na categoria de Melhor Filme de Animação. Até hoje, Procurando Nemo é a segunda maior bilheteria da história dos filmes de animação, perdendo apenas para Shrek 2.

Quando o sucesso é demais

pixar008Com uma verdadeira máquina de fazer dinheiro nas mãos, a Pixar decidiu rediscutir o contrato com a Disney. Sua idéia era pagar apenas uma taxa pela distribuição dos filmes, ficando com 100% dos lucros e do direito de propriedade sobre seus filmes. Proposta que foi recusada de pronto pela Disney.

Se por uma lado para a Pixar não faltaram distribuidoras querendo por a mão nos seus filmes, por outro lado onde a Disney encontraria uma empresa com tamanho potencial criativo como a Pixar? Irredutível a Pixar fez valer o seu pedido, o que obrigou a Dinsey a jogar pesado.

Em 2006, a Disney propôs a compra da Pixar por US$ 7,4 bilhões. O acordo foi fechado e Steve Jobs se tornou, assim, o maior acionista individual da Walt Disney.

A incrível rotina do lucro

pixar002Enquanto nos bastidores as negociações prosseguiam, nas telas tudo ia de vento em popa. Em 2004 foi lançado Os Incríveis. O filme somou mais US$ 631 milhões aos cofres da Pixar e levou para suas prateleiras mais dois Oscar (Melhor Filme de Animação e Melhor Edição de Som). Em 2006 foi a vez do sucesso Carros. Foram mais US$ 461 milhões arrecadados e outras duas indicações ao Oscar.

Daí em diante, a Pixar passou a diminuir os intervalos entre os seus lançamentos, passando a colocar nos cinemas um filme por ano. Em 2007, com Ratatouille, voltou a ultrapassar a marcar de meio bilhão de dólares, somando US$ 621 milhões mais um Oscar na categoria de Melhor Filme de Animação.

Em 2008, com o aclamado Wall-E, somou mais US$ 534 milhões e um Oscar na categoria de Melhor Filme. A produção foi considerada pelo público como um dos 50 maiores filmes de todos os tempos. Além do Oscar recebido, Wall-E teve ainda mais cinco indicações, mais um Globo de Ouro e um BAFTA.

Pixar, a maior indústria de cinema do mundo

Em 2009 com Up – Altas Aventuras a Pixar chegará a uma das marcas mais expressivas da história do cinema. Até a terceira semana, o filme acumulava US$ 163 milhões nas bilheterias norte-americanas. Se somarmos a bilheteria dos 10 filmes da Pixar, teremos o impressionante total de US$ 5,1 bilhões.

Para você ter uma idéia do quanto esse valor é significativo veja algumas comparações:

– Todos os 23 filmes de James Bond, somados, arrecadaram US$ 5,063 bilhões;

– Todos os 6 filmes de Star Wars, somados, arrecadaram US$ 4,3 bilhões;

– Todos os 6 filmes do Batman + os 3 filmes do Homem Aranha, somados, arrecadaram US$ 5,1 bilhões;

– Todos os 11 filmes de Jornada nas Estrelas + os 4 filmes dos X-Men + os 3 filmes de Jurassic Park, somados arrecadaram US$ 4 bilhões;

– Todos os 4 filmes de Indiana Jones + os 3 filmes de Matrix + os 3 filmes de Missão Impossível, somados, arrecadaram US$ 5 bilhões.

Os números são indiscutíveis. Sozinha, e em apenas 14 anos, o faturamento da Pixar é superior ao de franquias de mais de quatro décadas de história , como James Bond e Jornada nas Estrelas. Sem dúvida, um feito único e mais do que admirável na história do cinema. Claro, os números são brutos, sem o ajuste da inflação. Mas ainda assim são mais do que impressionantes.

Para o alto e avante

pixar004O que o futuro reserva para a gigante Pixar / Disney? Enquanto alguns estúdios falam em crise financeira – ou crise de criatividade – a Pixar segue a todo vapor. Suas “obras de arte” seguem encantando crianças, adultos e idosos do mundo todo. E engordando ainda mais o cofre da corporação.

Em 2010 a Pixar deve levar as telas Toy Story 3, totalmente no formato 3D. Outros projetos ainda estão em produção, com previsão de conclusão em 2011, mas nem todos devem ser levados às telas no mesmo ano.

Newt, The Bear and the Bow, Carros 2 e Monstros S.A. 2 são as próximas apostas da empresa para manter o seu reinado, não só na computação gráfica, mas sobre todas as demais franquias em Hollywood.

Por Wikerson Landim, aqui.